O Calendário Maia estava certo ao prever o fim dos tempos: advogado é atendido pelo próprio magistrado em balcão da Justiça Federal

Ser contratado como advogado por uma senhora de noventa e três anos é uma oportunidade e um grande desafio: oportunidade para oferecer aquela prestação de serviços que desejamos receber quando chegarmos à terceira idade, e o desafio de se conformar com a ideia de que provavelmente a cliente não viverá tempo suficiente para receber o resultado final do trabalho.

O advogado Ismael Cristo recebeu esta missão quando aceitou como cliente a simpática genitora de seu amigo, e velho conhecido dos amantes do futebol, o árbitro Ulisses Tavares da Silva, para tratar de um destes assuntos que jamais deveriam sequer passar pelas portas de nosso Judiciário Brasileiro: em 1999 a idosa quitou seu apartamento junto à Companhia Metropolitana de Habitação, recebeu quitação e uma carta de congratulações pela pontualidade e, passados dez anos não conseguia obter a escritura do imóvel porque algum burocrata da Estatal se “esqueceu” do documento de quitação e decidiu cobrar, da velhinha, outros duzentos mil reais adicionais.

Eis a surpresa e primeira excelente notícia: o magistrado da Vigésima Quinta Vara Federal de São Paulo e sua equipe aplicaram o Estatuto do Idoso e julgaram a causa em favor da anciã em surpreendentes seis meses e, como se isto fosse pouco, a Desembargadora RAMZA TARTUCE, do Tribunal Regional Federal de São Paulo, acolheu os pedidos da velhinha em menos de um ano.

Resumo da ópera, em menos de dois anos já não cabiam mais recursos contra a causa da idosa que poderá, viva e lúcida, receber a escritura do apartamento que pagou, de forma rigorosa e pontual, em cento e vinte prestações.

O fato é que, para completar o inusitado da história, quando compareceu ao balcão da Vigésima Quinta Vara Federal para conferir o “milagre” acima descrito com riqueza de detalhes, o advogado foi atendido no balcão pelo próprio magistrado titular da Vara que além de se colocar à disposição do advogado para esclarecer eventuais dúvidas, mostrou-se satisfeito em saber que a jurisdicionada vivera o suficiente para receber a “justiça” que havia buscado naquela Vara.

Para o advogado Ismael Cristo ficou fácil compreender a velocidade com que o processo caminhara naquela Vara: “constatei que o juiz federal conhece a rotina de seu cartório, chama seus funcionários pelo nome: Trata-se de um verdadeiro ponto fora da curva, pois em mais de vinte anos de militância jamais vivera experiência semelhante. Provavelmente o calendário maia estava certo quando afirmava que o fim do mundo está próximo, ou Deus achou por bem recompensar esta velhinha pelo fato de ser mãe de um árbitro de futebol, afinal, atire a primeira pedra quem ainda não xingou a mãe de um juiz no calor de uma partida de seu time predileto…”

 

Compartilhe este texto nas redes sociais: