Nove anos após acidente em elevador, advogado recebe indenização na Justiça

Em julho de 2002, quando entrou no elevador no décimo terceiro andar em edifício na Avenida Paulista o advogado e professor de Direito Ismael Cristo certamente não imaginava que embarcaria em uma das mais inusitadas experiências de sua vida.

Após as portas se fecharem e o elevador continuar no mesmo andar durante aproximados angustiantes dez minutos, o equipamento, finalmente, deu sinal de vida: desceu em velocidade normal até o  décimo segundo andar e, logo depois, em uma absurda velocidade até as proximidades do fosso de elevador, aproximadamente um metro abaixo do segundo subsolo.

Tal foi a violência da queda que, em depoimento na delegacia o zelador do condomínio informou que estava no último andar do prédio e mesmo de lá ouviu um barulho ensurdecedor, causado pela chegada do elevador no fosso do edifício.

Dois amigos do advogado quebraram a coluna, outro quebrou a perna e verificaram-se ferimentos de menor gravidade entre os demais, mas felizmente, ninguém morreu e com o passar do tempo todos se recuperaram, cada um convivendo à sua maneira com as lembranças traumáticas da experiência.

O fato é que a discussão sobre as causas do acidente, assim como suas consequências para a vida dos consumidores foram parar no Judiciário Paulista, ocasião em que a Atlas Schindler, responsável pela fabricação e manutenção do elevador se defendeu afirmando que a culpa pelo acidente fora, justamente, do advogado Ismael, que apertara os botões do elevador diversas vezes, causando uma espécie de confusão na máquina.

Depois de inumeráveis recursos apresentados pela Atlas Schindler o advogado conseguiu, no último dia de funcionamento do Judiciário em 2011 receber uma indenização de cem salários mínimos pelo ocorrido.

Para Ismael Cristo restou a sensação de que, definitivamente, “já passou da hora do Judiciário paulista rever seu modo de gerir a prestação jurisdicional. Os autos permanecem nos gabinetes dos juízes por meses à fio, assim como, meses nas mãos dos serventuários para providência muito simples. A prova de que há alguma coisa extremamente errada na gestão dos processos é que alguns juízes e desembargadores, que recebem a mesma quantidade de processos, conseguem oferecer soluções muito mais  céleres e eficazes, criando verdadeiras ilhas de excelência em meio a este mar de burocracia em que se converteu o Judiciário”.

A opinião é compartilhada pela advogada Gláucia Bueno Quirino, responsável pela condução deste litígio e pelas demais ações que versam sobre direitos do consumidor no escritório Cristo Constantino & Advogados Associados: a advogada, pós graduada em Direitos Difusos e Coletivos, lembra que “a maioria das demais vítimas do mesmo acidente, que também procuraram o Judiciário na mesma época, aguardam até hoje para receber as reparações a que têm direito pelo traumático ocorrido.”

Para obter acesso ao acórdão do Tribunal de Justiça que definiu o valor da indenização acesse o “portal acadêmico” em www.cristoconstantino.com.br

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