A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO ESTRATÉGIA DE GESTÃO SUSTENTÁVEL DA EMPRESA

Educação ambiental é um ramo da educação que objetiva a conscientização quanto à necessidade da conservação do meio ambiente, bem como a utilização sustentável dos recursos naturais. A Educação Ambiental está prevista na Constituição Federal de 1988 em seu artigo 225, inciso VI e consolidada pela Lei 9.795/1999 (Lei da Política Nacional do Meio ambiente).

Evidente é a importância do papel da educação para atingir os resultados desejados. Muito se tem falado sobre a questão em congressos, seminários, feiras de eventos ambientais e, sobretudo, nas conferências internacionais.

Em 1972, já existia esta preocupação. A educação ambiental se destacou como principal resultado da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano em Estocolmo, na Suécia, que reconheceu o desenvolvimento da educação ambiental como elemento crítico para conter a crise mundial.

Além desta preocupação, já existia uma grande discussão sobre o desenvolvimento do planeta, uma vez que estudos demonstraram que mantidos os níveis de industrialização, poluição, produção de alimentos e exploração dos recursos naturais, o limite de desenvolvimento do planeta seria atingido, no máximo, em 100 anos, provocando uma repentina diminuição da população mundial e da capacidade industrial, daí começou-se a falar em desenvolvimento sustentável.

Ocorre que a idéia vinculada principalmente nos séculos passados, de que a natureza é um objeto de apropriação apenas para obtenção de lucros e que o homem é um elemento independente do meio natural, não tem mais espaço em um mundo que cada vez mais exige uma postura ética e ambientalmente sustentável, em razão da iminência de não mais poder continuar suas atividades por escassez de recursos naturais.

Diante desta realidade, as pressões para adoção de uma postura sustentável surgem de todos os âmbitos, o poder público editando leis para regulamentar a questão estabelecendo multas e penalidades pela inobservância destas normas, as entidades não governamentais atuando ativamente denunciando os crimes ambientais, o mercado externo e o mercado de consumo exigindo produtos e processos certificados, surgindo um processo de qualificação empresarial em busca de certificações como estratégias para manutenção destas empresas no mercado, que por consequência gera uma cadeia de exigências, na qual a empresa que possui uma certificação só contrata com outra que também possui ou que tenha um sistema de gestão que garanta a qualidade e sustentabilidade das suas operações.

Tudo isso, faz com que os velhos métodos de trabalho e os antigos hábitos de consumo impossibilitem a ascensão destas empresas no mundo comercial.

É cediço que as empresas denominadas socialmente responsáveis estão repensando sua conduta diante desta realidade para adotarem estratégias de gestão sustentável.

Fato é que as empresas que buscam um desenvolvimento sustentável têm ganhado destaque no mercado, como por exemplo, aquelas que se utilizam de recursos naturais para a sua produção, através de técnicas inteligentes, denominadas como “produção limpa”, integradas aos produtos e processos, utilizando-se da não geração, minimização ou reciclagem dos resíduos gerados durante suas operações, têm aumentado as suas eco eficiência, a competitividade no mercado e ainda melhorando a metodologia de produção.

Ainda, vale destacar os benefícios que uma conduta ambientalmente correta traz não somente para as técnicas de produção, mas também para o bem-estar e a saúde de seus colaboradores, uma vez que estes devem ser considerados pelas organizações como “capital humano”.

Desta forma, a educação ambiental pode ser utilizada como uma das estratégias de gestão sustentável, através de políticas internas de conscientização, normas de conduta, palestras, cursos e treinamentos voltados para educação ambiental de seus funcionários, patrocínio de eventos culturais voltados para área de educação ambiental, reciclagem etc., contribuindo para obter uma maior produtividade e longevidade de seu negócio.

Débora Ferraz da Costa, advogada e consultora na área de Meio Ambiente e Sustentabilidade.

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